Por vezes a poesia escreve-se nos mais simples quadros que a vida nos vai pintando no dia a dia e só mesmo com olhos de quem embala no peito o doce afago que existe nas palavras que o poema nos dita pode pintar com letras de sonho aquilo que a alma contempla a cada passo de uma realidade que mesmo desenhada em traços de tristeza pode ainda conhecer um leve toque de cor.
A chuva hoje resolveu brindar-me com o seu sorriso molhado e quase numa atitude atrevida desafiou o sol que se fazia presente neste dia de Junho.
Foi como uma bênção materializada em gotas de água que me beijavam a pele e me tocavam a alma numa energia balsâmica que purifica e renova.
Foi mágica a companhia da chuva que hoje resolveu tomar café comigo na esplanada transformando um momento quase rotineiro na minha hora do almoço em espaço privilegiado para eu deixar-me voar nas asas daquela poesia que desliza entre o silêncio das palavras e nos transporta ao esquecimento de nós mesmos deixando-nos ali abandonados numa solidão partilhada com o instante.
Lendo em tempos uma frase que nos convidava a ao contemplarmos uma flor nos lembrássemos do seu autor elevo ao alto o meu canto de gratidão pelo sublime abraço que hoje me foi dado pelo criador instrumentalizado numa banal manifestação da natureza mas que em mim se manifestou materializando a mais terna das bênçãos.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
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