E tu minha paz onde te encontras?
Procuro por ti nos recantos mais fundos de uma alma que se revê em cada momento na tua ausência.
Por tantas e tantas vezes julgo no delírio das minhas miragens vislumbrar a tua candura pousada na flor que contemplo e se reflecte qual narciso no espelho de +agua de um olhar que te busca no infinito.
Sorris para mim e estendes-me a tua mão que ameninadamente recolhes para que não a agarre, e foges para longe gozando o prazer desta saudade que é de ti.
E tu minha paz onde te escondes?
Julguei encontrar-te em tantos e tantos colos onde deitei minha cabeça num descanso filial que se revelava a cada passo num cançasso que desnudava o meu desespero enquanto tu próxima mas distante, gozavas o prazer de mais uma vez escapares por entre os dedos da minha esperança
Um dia contaram-me que não existes; que és fruto de devaneios de quem perdendo-se procura reencontrar-se…
Eu acredito que existes sim e que me foges; que te dá um cruel prazer a minha procura por ti; mas que secretamente também me desejas abraçar.
Escuta minha paz:
Um dia teremos de nos tocar; sentir-nos um ao outro como quem pertencendo-se recusa entregar-se mas que acaba por se render ao destino que indelével e implacável se faz cumprir no espaço e no tempo que apenas a ele obedecem.
Oh minha paz como anseio encontrar-te; repousar na tua candura o meu olhar vazio de ti, agarrar com força a tua mão de menina esquiva e sobretudo pousar a minha cabeça no teu colo num descanso filial quem sabe por um minuto, quem sabe por uma vida ou mesmo por várias vidas num abraço eterno de quem perdido finalmente se encontra.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
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