sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Vou lançar o meu canto ao vento

Vou pegar no meu canto e lançar ao vento o seu grito;

Vou pedir ao vento que o leve e o faça ecoar por montes e vales e o transporte na mais suave das brisas ou então que o faça girar no mais agitado dos turbilhões.

Vai meu canto levado pelo vento e liberta nas suas asas toda a tua força…

Liberta as lágrimas e faz abrir os sorrisos, solta as amarras que te prendem na minha garganta e vai livre tocando corpos e almas que se mostrem abertos ao teu cantar.

Vai meu canto; sei que vais mas voltas porque em mim encontras refúgio para descansar das tuas viagens mas depois voltas a partir com o vento levando contigo retalhos desta alma que se entrega a ti e faz de ti o seu grito.

Quem te escutará meu canto?

Será que chegas ao destino ou será que te perdes pelo caminho brincando com flores e pássaros entoando com eles um hino ao criador?

Brinca meu canto com as notas e as palavras das canções que te entrego e que de mim são fiel retrato revelado nesta alma que por de traz de um sorriso esconde uma lágrima triste que teima em correr desaguando em ti, e contigo voando nas asas do vento.

Vai meu canto que eu fico a esperar que voltes e me tragas a voz de outros cantos que como tu se deixam levar pelo vento e que se entregam a corpos e almas que estejam abertos ao seu cantar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Queria chorar

Queria chorar…

Queria chorar porque sinto que só derramando um rio de lágrimas poderei voltar a sorrir;

Queria regar com uma chuva de lágrimas esta alma que se revolta em dores e gritos tantas vezes sufocados pelo nó que lhe aperta a garganta…

Queria poder trazer em forma de pranto tudo o que nem eu sei; mas sei que queria chorar.

Queria poder sem limites e sem vergonha de o fazer abrir um longo mar de lágrimas e nele fazer navegar todas as emoções que se atropelam num turbilhão de sentimentos que me dilaceram a alma numa luta tremenda pelo poder de serem eles a decidir o que devo sentir…

Queria chorar e pronto…

Tal como a criança que se manifesta pelo choro queria eu fazer-me notar pelas lágrimas que sem preconceitos me jorrariam dos olhos e se transformariam num espelho de água onde finalmente eu me poderia olhar para entender esta urgente razão de querer chorar…

Um colo?

Sim um colo… que sítio mais reconfortante para abrir um berreiro sem tamanho onde me liberte de mim e fuja para bem longe do meu próprio choro…

Um abraço?

Sim um abraço. Que gesto maravilhoso para quem depois de chorar pode finalmente reaprender a sorrir…

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Minha paz

E tu minha paz onde te encontras?

Procuro por ti nos recantos mais fundos de uma alma que se revê em cada momento na tua ausência.

Por tantas e tantas vezes julgo no delírio das minhas miragens vislumbrar a tua candura pousada na flor que contemplo e se reflecte qual narciso no espelho de +agua de um olhar que te busca no infinito.

Sorris para mim e estendes-me a tua mão que ameninadamente recolhes para que não a agarre, e foges para longe gozando o prazer desta saudade que é de ti.

E tu minha paz onde te escondes?

Julguei encontrar-te em tantos e tantos colos onde deitei minha cabeça num descanso filial que se revelava a cada passo num cançasso que desnudava o meu desespero enquanto tu próxima mas distante, gozavas o prazer de mais uma vez escapares por entre os dedos da minha esperança

Um dia contaram-me que não existes; que és fruto de devaneios de quem perdendo-se procura reencontrar-se…

Eu acredito que existes sim e que me foges; que te dá um cruel prazer a minha procura por ti; mas que secretamente também me desejas abraçar.

Escuta minha paz:

Um dia teremos de nos tocar; sentir-nos um ao outro como quem pertencendo-se recusa entregar-se mas que acaba por se render ao destino que indelével e implacável se faz cumprir no espaço e no tempo que apenas a ele obedecem.

Oh minha paz como anseio encontrar-te; repousar na tua candura o meu olhar vazio de ti, agarrar com força a tua mão de menina esquiva e sobretudo pousar a minha cabeça no teu colo num descanso filial quem sabe por um minuto, quem sabe por uma vida ou mesmo por várias vidas num abraço eterno de quem perdido finalmente se encontra.

terça-feira, 11 de março de 2008

Momentos

Há momentos que são hinos…

Levitam na nossa alma nos acordes harmoniosamente saídos da orquestra das nossas emoções e escrevem com notas de saudade uma pauta de revelações que tangidas nas cordas da alma executam a sublime melodia do tempo que se esquece de ser tempo e se torna intemporal…

Há momentos que são pássaros...

Voam no céu da nossa recordação e com o seu canto fazem renascer em nós a renovadora Primavera que convida ao tímido desabrochar de ilusões que se esquecem de ser ilusões e se transformam em verdade…

Há momentos que são rios…

Correm cristalinos por entre os nossos sentimentos e qual fonte de vida matam a nossa cede de sonhos que se esqueçam de ser sonhos e se transformem em realidade.

Há momentos que são abraços…

Afagam a nossa fragilidade e apertam-nos contra o seu peito fazendo que acreditemos pelo menos nem que seja por um instante na força de um momento que se esquece de ser momento e se transforma em eternidade…

segunda-feira, 10 de março de 2008

Em busca de mim...

Em busca de mim, em busca da vida para a qual tantas e tantas vezes não encontrei razão de ser, em busca do sonho que jamais me atrevi a sonhar, em busca da resposta para a pergunta que tantas vezes me fiz…

Porque razão estou aqui?

Em busca do caminho que me leve a tal felicidade que tantas vezes parece estar ao alcance das minhas mãos e se escapa por entre os meus dedos nem se deixando tocar para que eu não lhe sinta a textura, e por outras se abraça a mim com tal força que quase me sufoca com as suas promessas de ter chegado para ficar e quando eu acredito que fala a verdade, volta a escapar-se por entre as frinchas da minha incredulidade perante a sua fuga…

Em busca do segredo que eu mesmo escondo de mim…

Em busca de ser mais eu e menos aquilo que os outros querem que eu seja, em busca de escrever a minha própria história e não me limitar a ouvir contar o que alguém contou que ouviu contar de alguém que por nada mais ter que fazer resolveu falar de mim…

Em busca da minha verdadeira identidade…

Em busca do eu que se refugia num secreto recanto da minha alma e brinca com os meus sonhos divertindo-se a entrelaçá-los com os meus desejos e por muitas vezes se esquece de os arrumar permitindo que a minha realidade se deixe levar pela tentação de os tomar como seus…

Em busca de um dia puder abraçar-me a mim mesmo e sentir a alegria do reencontro.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Bom dia tristeza

Bom dia tristeza…

Hoje entraste sem bater na minha porta. Tomaste conta de mim e lentamente possuíste todos os recantos do meu ser escondendo tão bem a minha alegria que por mais que procure não a encontro e por mais que a chame e tenha a certeza que me responde não consigo escutar a sua voz.

Sabes tristeza, hoje até me dá jeito que aqui estejas. Estou mergulhado nos teus braços e por mais estranho que possa parecer trazes-me um conforto tamanho que hoje nem me apetece mandar-te embora.

Contigo posso chorar; deitar para fora toda a dor que me vai na alma arrancando do peito o grito plangente de quem se sente aliviado ao gritar…

Contigo não preciso fingir o sorriso que me pede a alegria; posso deixar que esta lágrima me percorra o rosto e me beije os lábios deixando que eu sinta o seu sabor a sal e depois se transforme em lâmina que me trespassa a alma fazendo escorrer de mim a seiva de uma dor que teima não estancar…

Sabes tristeza, contigo posso falar de saudade. Posso contar-te que sinto um vazio que em boa hora hoje tu vieste preencher…

Sabes, é duro ter de admitir mas hoje és a companheira certa para mim. Tu não me pedes que sorria, tu não reclamas de mim que deixe de sentir o que na verdade sinto. Tu hoje até resolveste que ficarias comigo mais tempo que o tempo que sempre tenho para ti…

Bom dia tristeza, abraça-me e deixa que chore contigo até que a alegria que tu escondeste encontre o caminho de volta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Quem é vivo sempre aparece

Já o Natal se foi e o Carnaval também já era e eu nem dei as caras por aqui para dizer água vai…

Mas pronto mais vale tarde que nunca como tal aqui estou a escrevinhar algumas linhas para matar o tempo e dizer algumas coisas mesmo que sem jeito nem trambelho como se diz aqui por terras algarvias.

Por falar em Algarve sabiam que as amendoeiras já florescem e dão com a sua alva flor um encanto especial ao nosso Algarve?

Sim umas dão flores brancas e outras flores meio cor-de-rosa diz quem sabe que as brancas são as das amêndoas doces e as cor-de-rosa são as amargas…

Por isso quando as virem em flor decorem quais são para quando forem colher o fruto não apanharem uma daquelas amêndoas que até nos arrepiam!

Foi a flor da amendoeira que tirou a tristeza à linda princesa nórdica que se casou com o Rei mouro e que chorava de saudades da neve da sua terra natal sabem a lenda?

Procurem na net por lenda das amendoeiras em flor e vão ver que vão gostar ainda mais desta maravilha com que a natureza nos brinda antecipando a Primavera.

Bom para quem não dizia nada já estou a falar demais como tal e porque quem é vivo sempre aparece, apareci novamente e penso aparecer mais vezes a não ser que o destino ou lá o que seja me pregue uma daquelas partidas que só ele sabe pregar.