terça-feira, 15 de maio de 2007

Creio em Deus mas não Creio na Igreja

Creio profundamente em Deus, esse pai amoroso que quer a felicidade dos seus filhos, que gostaria que eles procedessem de acordo com o seu desejo de justiça e verdade, que os ama profundamente e lhes concede tudo o que necessitam para a sua felicidade.

Creio profundamente nesse Deus que embora deseje tudo o que existe de mais sublime para seus filhos lhes concede o livre arbítrio para que possam ser donos dos seus actos e acarretar com as suas consequências estando no final pronto abraçá-los e conceder-lhes o perdão proporcionando-lhes sempre a oportunidade da regeneração para que possam corrigir os atropelos aos desígnios do Pai por força dessa liberdade que ele mesmo lhes ofertou.

Creio num Deus que não castiga mas que nos ensina a grande lição de aprender com os nossos próprios erros e a reparar essas faltas com o nosso próprio sofrimento mas que ao mesmo tempo nos afaga com o seu carinho de pai extremoso que julga mas não condena.

Creio nesse Deus de bondade que pensou em cada detalhe da sua obra como bênção
Concedida para felicidade de todas as criaturas e que nós Homens obra mais perfeita da sua criação por força da nossa prepotência tantas vezes destruímos.

Creio nesse Deus que não impõe condições para amar todos os seus filhos e que nos enviou Jesus Cristo como exemplo de vida e fonte de Agua viva onde deveremos beber todos os ensinamentos da forma mais perfeita de corresponder ao amor do pai e viver segundo o seu desejo para cada um de nós.

Não creio na igreja que se diz esposa de Cristo e que o trai vezes sem conta por mãos indignas que dizem servir essa mesma igreja quando na realidade servem apenas os seus próprios interesses aproveitando a fé sincera daqueles que crêem ser a igreja a representação de Deus e de Cristo na terra.

Não creio em certos senhores que escondidos por uma veste de sacerdote vão camuflando um infindo mundo de perversidade e em jeito de lobo vestido com pele de cordeiro vão trucidando aqueles que se atravessam no seu caminho.

Muito menos creio nas suas palavras mecanicamente pronunciadas e que de sentimento nada possuem.

Não creio nos ratos e ratas de sacristia que batem no peito confessando os seus pecados e que logo de seguida vão comungar dos interesses pouco claros do seu confessor.

Não creio naqueles que fazem caridade por fazer dando uma esmola para conseguir a absolvição mas passam ao lado de um irmão seu com a indiferença de quem julga já ter cumprido a sua missão ignorando que aos olhos do pai todos somos iguais e a nossa missão jamais estará concluída enquanto houver alguém que precise de nós.

Acredito naqueles que leigos ou não servem a igreja com fé mas os tais que dela fazem tudo menos algo de que nos possamos orgulhar são em muito maior número.

Tentam subjugar as consciências aprisionando os que neles crêem às amarras da sua própria vontade e dos seus interesses, compro meças e palavras nas quais por muitas vezes nem eles mesmos acreditam.

Creio sem dúvida alguma que todos os que se entregaram com fidelidade e fé a servir a igreja jamais se poderão rever nessa instituição viciada e sobre a qual recai a nódoa da culpa em crimes dignos dos maiores requintes de malvadez.

Creio por fim que a cada um de nós cabe representar na terra os desígnios de um Deus justo e verdadeiro e fugir de uma igreja corrompida pelos Homens e que está totalmente afastada da Igreja criada por Cristo.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Zeca 20 anos de uma auséncia que nos aproxima do teu canto de liberdade

A morte saiu à rua num dia assim, ao 23º dia de um Fevereiro frio de há 20 anos,.

Não te calaram os vampiros que quiseram sugar o sangue da tua utopia, não prenderam a tua voz os falsos há nação corridos por 7 mulheres de um Minho que
armadas de fuso e roca ergueram o grito de um Portugal sedento de liberdade.

Com o cantar de uma vila morena deste voz a um Abril que na esperança da malta se transformaria no maduro Maio de que ainda hoje andamos à procura.


Cantigas de um andarilho que correu montes e vales cantando as janeiras dos simples, trazendo um amigo em cada melodia, abraçando um povo que em cada
nota que se desprendia dos teus dedos, em cada palavra que se desprendia da tua alma se retratava no sonho de ser livre.

Zeca onde estiveres junta o teu canto à voz de um país que ainda hoje sonha os teus sonhos, canta o teu canto, e faz do teu hino uma senha de liberdade
ainda por conseguir.

Ladraste que me amavas

Falar de amizade ou de qualquer outro sentimento é sempre tarefa árdua para todos nós e entender os sentimentos de que nos falam não é de forma alguma
missão que se cumpra de forma simples e sem correr o risco de seguir na direcção completamente oposta ao caminho das emoções que nos são apresentadas.

Hoje acordei com uma saudade que me dilacerava a alma como se algo de cortante fizesse sangrar o mais profundo do meu sentir, um vazio no qual eu gritava
o teu nome e apenas o eco do silêncio me respondia com a frieza da tua ausência física mas com o calor da tua presença no colo do meu ser.

Corrias para mim com a tua alegria pura, aquela alegria que não é fruto dum momento mas que descende de um amor verdadeiro, aquele que se projecta na
simplicidade e na beleza de um sorriso de criança e que se dá sem nada pedir em troca.

Hoje acordei com o peito percorrido pela lança de um sentimento que me trespassa e me pede que te diga aquela palavra que tantas vezes se lança ao vento
e que pode ser arma letal quando usada apenas como um conjunto de sons que se pronunciam ou letras que se escrevem ignorando o seu verdadeiro valor.

Queria poder dizer-te essa palavra, conjugar-te o seu verbo em todos os tempos e de todas as formas afagando-te no meu peito como tantas vezes afaguei,
quando te fazias presente em corpo na solidão dos meus dias cheios de gente mas vazios de sentido.

Sabes? Agora que apenas estás comigo em alma porque quem ama nunca se separa, derreto o gelo desta distância no consolo de nunca ter deixado para depois
tudo o que sentia por ti, entregando-te o que de melhor havia em mim não deixando passar ao lado a oportunidade curta mas intensa que nos foi dada para
estarmos juntos.

Sei que onde estás também nada te falta mas perdoa o egoísmo presente em mim quando no vazio desta saudade penso que o teu lugar é ao meu lado e tenho
ainda tanto para te entregar. acredito que seja de que forma for o amor quando é verdadeiro é fonte que nunca se esgota.

Não foi de ser humano a veste que Deus escolheu para a tua alma mas nem por isso deixarás de estar sempre presente no mais profundo de mim.

Dei-te nome de ninfa criada por um poema mas tu tágide és das mais lindas poesias de amor que se escreveu no livro da minha existência.

Minha amiga liberdade

E tu minha amiga liberdade que por ti lutaram e morreram tantos homens, Tantas mulheres e até Crianças;

E tu minha amiga liberdade que em teu nome tantas injustiças e barbaridades se cometem;

E tu minha amiga liberdade musa inspiradora de versos e melodias que numa fusão cúmplice se transformaram em hinos;

E tu minha amiga liberdade que moveste montanhas acompanhada pela fé daqueles que acreditaram nas tuas promessas de um mundo melhor;

Onde andas agora?

Deixas que muito subtilmente aqueles que por dá cá aquela palha citam o teu nome, continuem a amordaçar aqueles que ainda crêem que não lhes mentiste e és capaz de cumprir tudo o que lhes prometeste.

Deixas que se prendam corpos e se tentem prender almas, permites que o pensamento seja pecado mortal e até consentes que em teu nome se dêem ao luxo de fazer o que lhes dá na real gana…

Não eras tu minha amiga liberdade que abrindo os teus braços te propunhas abraçar todos os Homens?

Que mal te fizeram aqueles que acreditando em ti deixaste fora do teu abraço?

Sabes, ainda sou teu amigo e creio que um dia te arrependas de te ter vendido tal como a tua irmã justiça e sigas o exemplo da esperança que jamais se vende e que sempre será a última a morrer.